Depois de uma madrugada difícil, Fê amanheceu sofrendo muito, com saturação super baixa, super ofegante, visivelmente cansado de toda esta luta, mas sem se entregar, lutando para ficar bem. Então, quando a Dra. Adriana entrou no quarto nos deu a notícia: Ele teria de ser entubado pois não estava mais conseguindo respirar sozinho.
Na hora confesso que ficamos desesperados, pois entubação sempre leva àquela ideia de que tudo está perdido. Mas não, não está.
Quando a Dra. Carmem chegou, me abraçou, chorou comigo e me disse: "A entubação não é uma sentença de morte, é uma forma de mantê-lo bem para poder combater o vírus que está atacando ele". Nos explicou que isso não traria nenhum dano à ele e que seria bem pior se tivesse de ser entubado de emergência, de madrugada, após uma parada respiratória, que é o que fatalmente iria acontecer.
Segundo ela, hoje nós quase perdemos o Felipe. Pela manhã ele estava saturando 60% com 15 litros de oxigênio! Um espanto! Praticamente um quadro de insuficiência respiratória.
Apesar do sofrimento, ele estava sentadinho na cama, pedindo para comer pão. Ofegante, cansado, mas ali, pedindo para comer.
Então aguardamos o Dr. Sérgio chegar (expert em entubação em crianças difíceis, como o Felipe), e foi feita a entubação. Nós esperamos do lado de fora do quarto pois a cena é meio chocante.
Logo depois os médicos tiraram 1 litro de secreção do pulmão dele. Uma coisa absurda de se imaginar para uma criança tão pequena. Também constataram que a garganta está cheia de placa de vírus, que também estavam impedindo a respiração dele.
Claro que é difícil vê-lo entubado, sedado. Porque na verdade se trata de um estado de coma induzido.
Mas após a entubação e da aspiração, ele passou a saturar 100% novamente, batimentos cardíacos em lindos 120 por minuto, pressão de 9x6 e temperatura de 36,1.
Ou seja, foi um mal necessário. Como disse a Dra. Carmem, vamos deixar que o esforço que ele estava fazendo para respirar seja usado para combater o vírus.
Outra coisa boa foi o resultado do Raio-X. Antes da entubação estava horrível, cheio de secreção. Depois, parecia que era de outra criança. Ainda com secreção, mas bem, bem melhor.
Além do Cidofovir que fui buscar em São Paulo, o Fê começou a usar outro anti-viral bem forte chamado Ribavirina. Agora a expectativa é que ele estando mais relaxado reaja melhor à medicação e expulse esse vírus para bem longe.
Assim que os médicos entenderem que o pulmão está melhorzinho, que o vírus está sendo eliminado, ele será desentubado.
O quadro é grave sim, mas nada está perdido, há muita esperança e nós estamos convictos de que o Felipe veio para vencer e está nos mostrando isso a cada dia.
Sigamos em frente, na certeza de que os dias que virão serão de sucesso.
Beijo em todos e obrigada por todas as correntes de oração!


